17 de maio de 2013

WALTER HAYES, O GRANDE ESTRATEGISTA DA FORD

Hayes no centro, agachado, na companhia de Chapman, Hill e  Clark

Mencionei Walter Hayes (1924–2000) nesse post sobre o Ford RS200, e nosso editor rapidamente me lembrou que esse personagem era muito digno de um texto a seu respeito. Como não estou aqui para esquecer de pessoas importantes e principalmente entusiastas de automóveis, finalmente decidi pesquisar um pouco. 

O inglês Walter Leopold Arthur Hayes começou sua carreira no mundo do automóvel como jornalista e teve papel importante tanto na Ford, onde trabalhou por décadas, quanto na Lotus e na própria razão de ser da Cosworth.

Seu trabalho tem uma extensão notável mesmo após seu passamento um dia depois do Natal do ano 2000.

Ele foi, entre outras coisas, responsável pelo contrato de Jackie Stewart para animar um motor que ele sabia ser fabuloso, e pela concretização do mesmo Cosworth DFV como produto digno de patrocínio de um dos maiores fabricantes de carros de rua, a Ford Motor Company. O V-8 que dominou a Fórmula 1 por muitos anos, além de ter sido usado, em suas variações, até mesmo em provas de longa duração, se mostrou provavelmente o maior legado de Hayes na qualidade de executivo não técnico.

Como acontece comumente no mundo automobilístico, pessoas tem suas vidas e carreiras naturalmente cruzadas, e sempre que se busca algo sobre um personagem, nos deparamos com outros também muito conhecidos. Com Walter Hayes não é diferente. Sua associação com Colin Chapman começou quando convidou este para escrever uma coluna sobre automobilismo inovadora, com uma visão de construtor, no jornal Sunday Dispatch, onde Hayes era editor.

COLUNA "DE CARRO POR AÍ"





End eletrônico:edita@rnasser.com.br                     Fax: (61) 3225-5511                 Coluna 2013  15.maio.2013

Novo chinês, novo nível
Se lhe perguntarem opinião sobre o Lifan, SUV chino-mercosulino finalizado no Uruguai, responda que está num patamar evolutivo. É sintética porém correta visão, nesta quadra de tempo e de mercado onde convivemos com enorme leque de novas marcas e procedências. No caso, a poderosa e vária tropa chinesa vem apresentando marcas e modelos absolutamente desconhecidos, misto de curiosidade, preço, conteúdo, mas com ponto comum: em construção ainda não atingiram os níveis dos fabricantes tradicionais.
O Lifan X60 está nesta categoria evolutiva. Mantém as instigações, em especial conteúdo, equipamento e preço. Entrega a conformação sugerindo valentia, o posto de condução superior, a fortaleza com auto noção assumida pelo usuário. Complementa-a com leque das facilidades oferecidas pela eletrônica – chave não usada como chave, apenas como presença, piscas nos espelhos, faróis acesos 30 s pós desligamento do carro, TV, sensor de ré, e mais o arroz com feijão atual: ABS+EBD, ar-condicionado, direção hidráulica, vidros elétricos. O motor é de quatro cilindros, transversal, 16v com acionamento variável. Desloca 1,8 litro e produz 128 cv e 16,8 kgfm de torque. Suspensões independentes e freios a disco nas 4 rodas. Câmbio manual, com 5 marchas, tração dianteira.
Diferenças
Segue a receita traçada pelos JAC quando chegaram ao Brasil: completos, sem opções, a preço de concorrentes menos dotados. Os chineses, todos, não querem se submeter ao raciocínio que a origem os obriga a ser baratos. Lenta, mas inexoravelmente, aproximam-se dos carros de fabricantes tradicionais – e o preço vem junto. Preferem esculpir a imagem do carro completo a preço agradável. No caso, R$ 52.777.

16 de maio de 2013

GOL RALLYE E TRACK: MAIS DO MESMO

Gol Rallye, em quarta versão, e a novidade Track

A Volkswagen termina de atualizar sua linha Gol lançando o modelo “aventureiro”, o Rallye (acima, à esquerda), agora em sua quarta versão. Só que ele chega acompanhado do Track (idem, à direita), que pretende atrair pela simplicidade e menor preço. Enquanto o Rallye parte de R$ 45.850 e tem apenas motor 1,6, o Track traz motor 1,0, “decoração” mais simples e preço a partir de R$ 33.060. Como quase todos os “aventureiros”, a inspiração vem mais do marketing do que da engenharia. 

Tecnicamente, os dois novos Gol só diferem dos modelos convencionais devido a sua maior altura do solo. Enquanto o novo Track tem 23 mm a mais de vão livre do solo (vem com aros de 15 pol.), o Rallye é ainda mais elevado (28 mm a mais de altura) devido a suas rodas maiores, de aro 16-pol com pneus 195/50R16. Curiosamente, o novo Track traz pneus de uso misto (algo como 60% asfalto e 40% terra), enquanto o Rallye tem pneus para asfalto. Ou seja, como se trata de uma versão mais acessível, a Volkswagen acredita que o Track será mais ferramenta de trabalho ou terá real uso em estradas de terra, o que raramente ocorre com os “aventureiros urbanos” e até com os utlitários esporte. 


15 de maio de 2013

BMW K 1600 GTL: IDEAL PARA LONGAS VIAGENS

Fotos: autor

O motor de seis cilindros em linha, transversal, desloca 1.649 cm³ e rende 160 cv. Quando fiquei sabendo desses primeiros dados do motor, logo me veio a imagem das antigas italianas Laverda e Benelli, e também da japonesa Honda CBX 1000, motos de grande potência para a época, anos 1970, mas cujo motor pesado e com centro de gravidade alto tornavam-nas ruins de ciclística. Portanto, com esse meu antigo preconceito, e olhando para a K 1600 GTL, tive a impressão de que a moto seria pesada e desajeitada para a pilotagem. Mas bastaram alguns metros rodando para sentir que ela é bem mais maneira do que eu esperava; e bastaram algumas centenas de metros para sentir que ela acelera feito as mais fortes speed do momento. Vamos então saber por quê.

Mais uma obra-prima de tecnologia

14 de maio de 2013

EXTRA: IRRESPONSABILIDADE DA CET + BURRICE = ACIDENTE

O Ka prata parado é de um casal, ela enfermeira, que prestou os primeiros socorros ao motociclista

Acabou de acontecer, colisão de carro (o Kia Sorento preto, com sacos de lixo nos vidros laterais) contra moto ou vice-versa. A foto foi tirada do meu apartmento no 18º andar e o local é Alameda dos Maracatins com Av. Jamaris, bairro de Moema, em São Paulo. Nesse momento em que escrevo chegaram dois motociclistas-bombeiros para o primeiro atendimento à vítima. Passaram-se mais de 20 minutos e ambulância, nada. Muito menos polícia. Já passa de 17h00.

Vamos ao porquê do título.

Irresponsabilidade da CET no sentido de o semáforo deste cruzamento estar com defeito há mais de 30 dias! Entra em amarelo piscante nas duas direções. Aí vem um(a) marronzinho(a), abre a caixa de controle e zera o sistema em poucos segundos, voltando o semáforo a funcionar corretamente. Às vezes fica bom um dia ou dois e volta o problema. Em outras ocasiões, mal o(a) fiscal se vai, dá-se o defeito.

O mais incrível é que agentes da CET são clientes habituais da padaria Boston Bakery dessa esquina (parte do teto é visível na foto, embaixo), sabem do problema e poderiam de alguma forma contribuir para resolvê-lo.

Duas vezes na semana passada precisei ajudar senhoras idosas a atravessar a rua. Inclusive ontem um idiota não nos viu na faixa e houve certo perigo.

A burrice fica por conta do motorista brasileiro, que vê um semáforo em piscante e pensa "Oba! Não está vermelho, não tenho que parar, viva!!"

Aprendi numa viagem aos EUA que quando os semáforos entram nessa condição, eles passam a valer como placa "Pare" em quatro-sentidos. Mas nem precisa chegar a tanto, basta um mínimo de inteligência, algo que anda bem em baixa nesta terra brasilis ultimamente.

Está explicado o título?

BS

Atualização 17h35: a ambulância só chegou 40 minutos depois do acidente. A polícia, meia hora.

CHARADE: SALVANDO UM JAPINHA DO FERRO-VELHO


Acessórios melhoraram a traseira, que parecia o Grilo Falante

O Daihatsu Charade simplesmente apareceu, obedecendo ao velho ditado: “Carro velho, quando tem de ser seu, cai no colo”. Estava vendendo uma Parati 2001, uma G3 completa e ótima. Descobri que era um mico. Ninguém queria por um simples detalhe, o seguro. Carrinho de pouco mais de R$ 20 mil, o seguro fica em mais de R$ 4 mil. Conforme o perfil do cristão passava dos R$ 5 mil. Apareceu um negócio que pareceu justo. O comprador mandou: “Vou levar uma Parati mico e você fica com outro mico. O “outro” era esse Daihatsu Charade 1994, um sedã com motorzinho 1,5-litro, boa aparência, carroceria íntegra sem porradas significativas, mas fumando mais que o dono. 

Gosto de mico e já tinham passado pelas minhas mãos um Charade hatch 1,3 (até hoje com meu filho) e um Cuore 0,85, que continua prestando bons serviços para o meu mecânico, o Renato Gaeta, de Tatuí City (SP). 

Resolvi encarar o mico japonês, ainda que ele se arrastasse numa nuvem de fumaça. Mesmo doente, ele teimava em rodar, com luz de injeção acesa, suspensão batendo e outras desgraças. No painel, pouco mais de 60 mil km rodados, enquanto a etiqueta de óleo na porta indicava a ultima troca com 110 mil km. Entrou por R$ 8 mil no rolo. 

13 de maio de 2013

A MALDITA NEBLINA

Foto: phmailynews.net
 


O título deste post não é meu, mas de uma matéria que li numa revista Quattroruote décadas atrás, chamada apropriadamente "La maledetta nebbia", da qual não esqueço. Dirigir na neblina é talvez a condição mais crítica que existe ao volante de um carro, por isso mesmo extremamente perigosa – até para motoristas experientes, o que dirá quem está dando os primeiros passos ao volante. Maldita no sentido estrito.

A neblina é um fenômeno meteorológico entre tantos e se caracteriza pela condensação da umidade do ar junto ao solo. Ocorre quando o ar está frio, sendo por isso uma ocorrência típica do inverno, embora possa ocorrer fora dele. Estamos no outono do hemisfério sul e no mês que vem será inverno. E virá a neblina, especialmente nas regiões sudeste e sul.

Com a neblina – ou nevoeiro, mesmo efeito mas de origem diferente – a visibilidade fica seriamente comprometida. Além de não se enxergar a via à frente senão por alguns metros nos casos mais extremos, à noite se junta o efeito da luz dos faróis do nosso carro refletir nas gotículas d'água que constituem a neblina, piorando a situação.

Pode-se dirigir na pior neblina com  razoável segurança tomando-se certos cuidados:

12 de maio de 2013

FATALIDADE

Foto: r7.com

fatalidade
 
fa.ta.li.da.de 
sf (lat fatalitate) 1 Qualidade do que é fatal. 2 Acontecimento funesto, imprevisível, inevitável, marcado pelo destino ou fado. 3 Sucesso desastroso; desgraça.


Aquele meteoro que caiu na região da Rússia em fevereiro foi uma fatalidade, pois era imprevisível, inevitável. Acidentes de trânsito, quase sempre, não são fatalidades, são resultado de imprudência, principalmente, mas também de imperícia e negligência. Mas parece que virou moda, um ônibus sobe a calçada, atropela e mata pedestres e, adivinhem...foi uma fatalidade.
                                                               
Posso falar do Rio de Janeiro, que é a cidade onde resido. Aqui os coletivos transitam de forma totalmente irresponsável, e nenhuma providência por parte das autoridades é tomada, é como se fosse normal. A velocidade em si, como bem sabemos, não é o problema, mas o excesso de velocidade em local inadequado é combustível para tragédias.

11 de maio de 2013

SAVEIRO DE CARA NOVA




Em julho de 1982 surgiu a Volkswagen Saveiro (ao lado), a picape derivada do Gol pioneiro, de 1980, e, como ele, dotada do clássico motor boxer refrigerado a ar emprestado do Fusca. De cara conquistou boa parcela de mercado, agradando quem queria um veículo de trabalho  e também atendendo a então nascente/crescente cliente de picapes como veículos de lazer ou uso cotidiano.

Nestas três décadas a Saveiro enfrentou o bom e o mau tempo, e nos seus primeiros vinte aninhos (!!!) de vida soube ser uma espécie de queridinha do segmento. Quando chegou, enfrentava Fiat City e Ford Pampa, derivadas respectivamente de antigos 147/Panorama e Corcel, mas logo ganharia concorrência mais desenvolvida – a Fiorino derivada do Uno. A GM entrou na briga no ano seguinte, com a Chevy 500 derivada do Chevette. Assim que recebeu o motor dito "a água" em 1985, a Saveiro decolou definitivamente nas vendas e foi líder do mercado até a entrada do século 21, quando a Fiat Strada, surgida em 1998 da "costela" dos Palio, lhe tomou o lugar.
Nova Saveiro Trooper

10 de maio de 2013

COLUNA "DE CARRO POR AÍ"













End. eletrônico:edita@rnasser.com.br                        Fax: (61) 3225-5511
Coluna 1913  8.maio.2013

Prefeitos, corram
És prefeito de cidade no Sudeste, Sul? Tens interesse em implantar fábrica de automóveis em seu município? Acha que será bom para todos, incluindo para as próximas eleições? Então, prezado alcaide, corra.
A Mercedes-Benz iniciou tabular dados para escolher local para sua próxima usina, e produzir a nova família Classe A. Foca na região Sudeste e Sul considerando logística, facilidades de transporte, rapidez para instalação – mas, naturalmente, considera incentivos.
Rio de Janeiro não quer perder a vez de ampliar o pólo automobilístico de Resende e Porto Real e acena, sugerindo se instale ao lado da fábrica da Nissan, em implantação. O governo de Minas, onde em Juiz de Fora está a antiga fábrica do Classe A e agora de caminhões, idem, sugerindo Montes Claros. Mas a Mercedes não quer ir para o norte, preferindo menor distância de portos.
Fosse eu prefeito de Joinville, SC, exumaria a proposta feita há década e meia, quando a cidade estava cotadíssima para receber a fábrica, perdendo-a, na mesa de decisão, para os mineiros. Alemães da Mercedes estão cismadíssimos com a decisão da BMW, seu competidor frontal em automóveis, em instalar-se em Araquari, onde o governo federal prometeu fazer aeroporto intermodal, para passageiros e carga, e estrada direta ao porto de São Francisco do Sul.
Não será apenas uma fábrica, mas a fábrica de automóveis Mercedes na América Latina. Considere-se o presidente mundial, de mandato renovado para retomar a liderança em vendas de automóveis, e o novo presidente local, um homem de automóveis, ex-diretor mundial de marketing do setor. Não virá a passeio, nem para encerrar carreira.
Assim, prefeitos, aviem-se, pois decisão é em máximos três meses.

Mercedes Classe A procura local para fábrica

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